segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Medo de bala

Eu tenho medo de bala
O cu se fecha; se cala
Eu tenho medo
É segredo
Eu caio em pranto
e me canto
Me viro em fera
Quimera
Desapareço
e me esqueço

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

No onibus

Tenho medo
É o meu pau
Que começa a ficar duro
O coração dispara
E lá está ele

DURO!

Olho para os lados
Sinto muito medo
Principalmente por não usar cuecas

Ao meu lado uma senhora gorda sorri
Eu não
"Tarado!!!" ela pode gritar a qualquer momento
-Calma, moça. Desculpe. Talvez seja a trepidação. Não sei.-
Não haveria tempo para discutir
Vocês sabem como tratam os tarados

Minha parada está chegando
E eu vou levantar assim?
de pau DURO???!!!
Meu olhos já estão marejados
Quando ele começa a repousar
Agradeço a Deus

Mas ele sempre repousa antes de chegar
Sempre
Sempre
Sempre

Mas se um dia ele teimar em ficar DURO?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Minha amiga

Dizia palavras bonitas
sobre flôres, estrelas cadentes, o gosto e o cheiro da terra molhada.
Tão animado falava sobre o que é todo e que não existe parte.
Cantou afinado e desafinado
Era todo Deus; gozo e frigidez

Ela que permaneceu calada sorriu.
E disse
"Dá até vontade de dizer que te amo"

Ele se calou
era terno ser e estar n´aquilo sobre o que não se fala.