segunda-feira, 9 de março de 2009

Quem

Um corpo que a ferrugem roi
Uma peça desgastada
Caixa da mais descompassada musica
Sou a Besta-fera
Das densas florestas
dos infernos
Do bom tempo
e do mais traiçoeiro inverno

Sou canaleta que leva agua barrenta
lavando a sede de quem tem sede
sou peixeira cega
sangrando a fome de quem tem fome

A todos amo com odio
e para que o todo não me odeie ou ame
todo dia me invento um santo nome:
Cantiga de acauã
Corda de caranguejo
Esporão no pescoço do galo
Asa branca nos olhos do sertanejo

Sou a camada d´agua sobre a qual caminha o mosquito
sou de tudo não poder
A negação daquilo que resta
E o que me sobra de conforto
É saber que a ferrugem no meu rosto há de conhecer um dia em que não encontrará mais o que roer.

Ao pequeno guardião

Do lado oposto ao oposto
Meus olhos miram um prato de carniça
Com um beijo pago passagem ao guardão da ponte levadiça.
-Rapaz bonito e faceiro, qual já esqueci o nome-
Corro leguas de sonhos para matar a fome
Mas me perco de desejo
recordando as delicias do beijo do pequeno guardião
E o sexo
Falo e silencio
Conservo os votos de pureza
Que o ego desaponte
E a ponte?
Memoria de outros firmamentos
O sangreiro desponta
O prato continua intacto
E em mim ecoa:
Um dia hei de cruza-la

sábado, 7 de março de 2009

Oleiros

Eu corria tanto
Mas eles não desistiam
saltei do alto do edificio
entrei por uma janela do tamanho de minha mão
Estava vazio, mas só o primeiro comodo
Alguem vem aí.
nas escadarias
-Bom dia-
A policia não me ajuda
Agora estou com ex-pessoas de minha vida
É fim de ano e eu saio do ensino médio pela terceira vez
Choro tanto
Detesto lembranças
A tia da lanchonete sabe que é só lembrança
o q me faz mais triste nos olhos dela
-Não voltou. é só por agora-
Meu professor de redação me abraça
-Que otimo-
Mas não é pra sempre.
Silêncio
O telefone tocou