domingo, 30 de janeiro de 2011

Oco

Vazio
Oco
Vão entre as partículas
Casca de cigarra
Inflado o maior orgão do corpo humano
Não consigo escrever
Há morte

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sêmen

Não há valor algum nas palavras.
Não que não valham nada.
Tudo bem nós sabemos que também não valem.
Mas o que quero dizer é que são de valor inestimável.
Quanto pagaria pelas palavras de clarice?
Nada por certo.
Acho mesmo que sequer elas deveriam ter sido escritas, tamanha sua inestimabilidade.
Os canhotos escrevem como quem está adiante das palavras, e é como se estas o seguissem.
Eles estão sempre um passinho a frente da idéia-objeto.
talvez aí resida sua "criatividade".
O destro empurra as letras fazendo força, como que estivesse a parir palavras.
Os partos são SEMPRE um tanto delicados e outro tanto perigosos.
Sou destro.
E minha palavra agora é aborto.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Louvado seja nosso Senhor

Deus está na papa que como
Em noites perdidas de sono
Deus caiu no chão
Foi um real que perdi

Ele está nos versos da lavadeira
É desarranjo de fim de feira
Está no canto em que choro calado

Deus...
Deus é ponto na reticencia
É cona, falo, inocencencia
É briluz nos olhos do cão

Verde que chove em Edir Macedo
Sotaque de Padre Quevedo
Deus acenou pra mim -Oi!-

Senhor estrela faceira
Olho de vidro de rezadeira
Cabeça de Lampião a rolar

Ele é quartinho de cana na mesa do bar
É uma relíquia falsa no altar
Senhor primeira regra de menina

É o válido e o desvalido
É o pedido não atendido
O caminho da danação

Nele me encontro e rendo graças

Ele é o "É" no meio da frase no parachoque do caminhão